Antigamente
era
diferente,
Mas
tinha
graça,
tinha
emoção!
Pouca
tecnologia,
Mas
sobrava
imaginação!
Telefone
com
ficha,
Fotografia
pra
revelar,
Fita
VHS,
disquete
e
jabuticaba,
E
criança
solta
até
tarde
pra
brincar!
[INTRODUÇÃO — instrumental demorada) Antigamente era diferente, Tudo tinha outro jeito de funcionar, Telefone tinha até cadeado, Quando se queria impedir alguém de ligar! E quando vinha a conta do telefone, Era um susto de fazer arrepiar... Hoje é só apertar uma tela, Naquele tempo tinha ficha pra falar! Depois veio o cartão pra facilitar! [BREQUE — cavaquinho] Mas
se
a
ficha
acabasse...
Acabava
também
o
assunto!
Ah,
meu
amigo,
que
tempo
bom!
Tinha
dificuldade,
mas
tinha
emoção!
Hoje
tudo
é
rápido,
tudo
é
digital,
Naquele
tempo
era
tudo
manual!
Mas
era
muito
bom,
Era
muito
legal!
Antigamente
era
assim!
Era
assim...
E
ninguém
achava
anormal!
Mesmo
tudo
demorado,
Era
muito
genial!
Tinha
fita
VHS
pra
assistir,
E
tinha
prazo
certo
pra
devolver,
A
fita
era
devolvida
correndo,
Pra
não
levar
multa
nem
aborrecer!
E
se
esquecesse
de
rebobinar,
A
multa
vinha
sem
dó
nem
perdão.
Hoje
a
multa
é
se
esquecer
De
pagar
a
assinatura!
Disquete
guardava
quase
nada,
Um
arquivo
grande
já
era
confusão...
Hoje
cabe
o
mundo
num
pendrive,
Naquele
tempo
cabia
somente
uma
simples
canção!
E
o
tal
do
Merthiolate,
Quando
passava...
ardia
pra
daná!
A
gente
ficava
assoprando
a
ferida,
Esperando
aquela
dor
passá!
A
ferida
sarava...
Mas
a
lembrança
da
ardência
ficava!
Fotografia
era
coisa
séria,
Tinha
doze,
vinte
e
quatro
ou
trinta
e
seis,
Depois
levava
pra
revelar,
E
esperava
até
uma
semana,
talvez!
Se
saía
alguém
de
olho
fechado,
Era
tarde...
não
dava
pra
consertar!
Não
tinha
Photoshop...
O
azar
estava
fotografado!
Hoje
a
gente
tira
cem
fotografias,
Já
na
mesma
hora
podendo
postar!
Ah,
meu
amigo,
que
tempo
bom!
Tinha
dificuldade,
mas
tinha
emoção!
Hoje
tudo
é
rápido,
tudo
é
digital,
Naquele
tempo
era
tudo
difícil,
tudo
manual!
[VERSO 4] Banho
era
com
bacia
e
caneca,
Ou
chuveiro
com
cordinha
puxando...
Se
faltasse
água,
ninguém
reclamava,
A
gente
já
estava
acostumado!
E
criança
brincava
lá
na
rua,
Até
escurecer,
sem
medo
e
preocupação,
Era
bola,
bicicleta
e
esconde-esconde,
E
só
voltava
quando
ouvia
o
chamado: “
Menino!
Vem
pra
casa!” “
Já
vou!” “
Já
vou
nada!
É
agora!”
[BREQUE — risadas] E
quando
a
mãe
chamava
de
novo...
Até
a
bola
obedecia!
Em
casa
não
tinha
telefone,
E
a
gente
ia
pro
orelhão
telefonar,
Colocava
a
ficha
com
cuidado,
Rezando
pra
ligação
não
cair
ou
acabar!
E
o
leite
chegava
de
carroça,
Bem
cedinho,
na
porta,
no
portão...
Hoje
chega
por
aplicativo,
E
ninguém
sabe
nem
a
hora
da
entrega,
não!
Naquele
tempo
o
leiteiro
conhecia
a
casa...
Hoje
o
aplicativo
pergunta: “
Qual
é
o
endereço?”
E
tinha
jabuticaba
no
quintal,
No
quintal
do
vizinho...
Que
provocava
uma
tentação!
A
gente
pulava
a
cerca,
Pra
fazer
a “
colheita”
escondidão,
Voltando
com
jabuticaba
nos
bolsos,
De
montão!
[BREQUE — risadas] Era “
roubo”
de
jabuticaba,
Mas
ninguém
chamava
de
ladrão!
[Breque curto] Era
só
uma “
colheita
antecipada”...
Sem
autorização
do
patrão!
Filme
era
na
fita
de
oito
milímetros,
Cada
cena
era
uma
preocupação,
Filmava
com
todo
cuidado,
Depois
mandava
pra
revelação!
E
esperava
uma
semana
inteira
Pra
descobrir
o
que
foi
filmado...
Se
o
filme
não
saísse
bom,
Tudo
estava
perdido
e
condenado!
Uma
semana
pra
descobrir...
Se
você
tinha
filmado
o
chão!
[Pandeiro — pequena virada] Hoje
filma,
olha
na
hora,
Se
não
gostou,
pode
apagar!
E
filho
tinha
respeito
dobrado,
Pai
era “
Senhor”,
mãe
era “
Senhora”,
Não
existia
esse
negócio
de “
você”,
Era “
sim,
senhor!”
e “
sim,
senhora!”
Se
respondesse
atravessado,
A
conversa
nem
precisava
continuar...
Bastava
um
olhar
do
pai
Que
a
gente
já
sabia
onde
a
cinta
ou
o
chinelo
ia
parar!
Nem
precisava
explicar...
O
olhar
já
vinha
com
legenda!
E
tinha
o
famoso
Biotônico
Fontoura,
E
fígado
de
bacalhau
pra
fortalecer,
A
mãe
dizia: “
Toma
que
faz
bem!”
E
a
gente
tomava
sem
querer!
Hoje
tem
vitamina
de
todo
tipo,
Tem
suplemento
pra
tudo
quanto
é
lado...
Mas
naquela
época
era
uma
colher,
E
pronto:
problema
solucionado!
Se
era
bom
ou
se
era
ruim...
A
mãe
dizia
que
era
bom,
e
estava
encerrado!
Antigamente
era
diferente,
Mas
tinha
graça,
tinha
emoção!
Pouca
tecnologia,
Mas
sobrava
imaginação!
Telefone
com
ficha,
Fotografia
pra
revelar,
Fita
VHS,
disquete
e
jabuticaba,
E
criança
solta
até
tarde
pra
brincar!
Antigamente
era
assim!
Era
assim!
E
quer
saber
de
uma
coisa?
[Todos — forte] A
gente
era
feliz...
E
nem
sabia!
Mas
o
Mário
Cardoso,
Que
tudo
isso
contou...
Já
era
muito
feliz...
E
também
já
sabia!
[BREQUE FINAL — todos] Já
sabia! [
Pandeiro —
virada
forte.]
[Breque final.] Saudade...