(Versos: voz narrativa, com zabumba e triângulo bem definidos.
Refrão: coro masculino e feminino, com energia e força.
Breque: parada completa antes da reflexão falada, para destacar a mensagem.
Final: sanfona em destaque, encerrando com um toque regional.
A mensagem principal da música é esta: podemos compreender o homem e as injustiças do seu tempo sem transformar a violência em justiça. Assim, a letra homenageia a história e a cultura nordestinas, mas também convida o ouvinte a pensar.)
LAMPIÃO — ENTRE A JUSTIÇA E A VIOLÊNCIA
(Ritmo: Baião nordestino com repente e cordel)
[INTRODUÇÃO — SANFONA, 8 COMPASSOS] (Zabumba marcada, triângulo entrando aos poucos)
[DECLAMAÇÃO — VOZ GRAVE] No sertão do Nordeste, a história acontece, Um homem vira lenda, muita gente padece!
Virgulino Ferreira, conhecido por Lampião, Deixou perguntas sem respostas na memória do sertão!
(CORO)
Virgulino Ferreira, conhecido como Lampião, deixou perguntas sem respostas na memória do sertão!
[VERSO 1] Era um tempo de pobreza, de miséria e opressão, Coronéis mandavam muito, poucos tinham proteção. A Justiça inexistia prevalecendo o poder, E o sertanejo mais humilde não tinha pra onde se socorrer.
[VERSO 2] Foi nesse mundo tão duro que Lampião apareceu, Entre conflitos, mortes e vinganças, sua história escreveu. Com coragem, ousadia e inteligência, conquistou fama e respeito,
Justiça com as próprias mãos fazia porque entendia que não tinha outro jeito.
[PRÉ-REFRÃO — SANFONA SUAVE] Uma coisa é compreender O que leva alguém a lutar, Outra coisa é aceitar Quando alguém começa a matar!
[REFRÃO — CORO FORTE] Ô, Lampião! Rei do Cangaço! Tua história atravessou o tempo e o espaço!
Mas coragem não transforma o errado em certo não... Fazendo justiça com as próprias mãos!
Ô, Lampião! Escuta este refrão! Nem todo poderoso tem razão! Mas quem combate a injustiça precisa compreender: Não se constrói justiça fazendo outro sofrer!
[VERSO 3] Atacou seus inimigos, fez saques pelo sertão, E a violência do seu bando espalhou medo e aflição. Houve mortes e sofrimentos, vidas marcadas pela dor, E nem todo acuado era culpado ou opressor.
[VERSO 4] TÁ certo que poderosos abusavam do poder,... Coronéis violentos que faziam o povo sofrer. Não se pode dar razão só a um lado da questão, Pois essa injustiça era combatida por Lampião!
[VOZ FALADA] Preste atenção, meu povo! Entender não é desculpar! Conhecer essa história É apenas para se conscientizar.
[VERSO 5 — RITMO CRESCENTE] Em mil novecentos e trinta e oito, terminou sua trajetória, Na Grota do Angico, entrou de vez para a história. Lampião virou uma lenda, sua fama se espalhou, Mas a questão sobre a justiça ou injustiça até hoje ainda não terminou.
[REFRÃO FINAL — CORO E SANFONA] Ô, Lampião! Rei do Cangaço! Tua história atravessou o tempo e o espaço! A pobreza explica muito, mas não dá autorização Pra fazer justiça com as próprias mãos!
Ô, Lampião! Fica a reflexão: Não existe paz fundada na vingança e na opressão! Que o passado nos ensine a escolher um rumo novo: Justiça, paz e dignidade para todo o nosso povo.
[DECLAMAÇÃO FINAL — SOBRE A SANFONA] A história serve de alerta, Não apenas de recordação: Combater a injustiça é justo, Mas não com as próprias mãos!
(ESPAÇO)
Essa letra, essa história, foi escrita pelo Mário Cardoso.
[ENCERRAMENTO] (Zabumba marca três batidas; sanfona conclui com frase nordestina.)