(FALADO —
VOZ
CAIPIRA:)
Tudo
acontece
lá
na
divisa
dos
dois
estados!
Tem
goiano
e
tem
mineiro,
Cada
qual
quer
falar
mais...
E
quando
um
provoca
o
outro,
É
conversa
demais!
[VERSO 1 — O MINEIRO CONTA | VIOLA MARCANDO O COMPASSO] Lá
na
divisa
de
Goiás
com
Minas
Gerais,
Duas
cidadezinhas,
quase
irmãs
e
muito
iguais.
Rio
Paranaíba
separando
os
dois
quintais,
Mas
o
orgulho
de
cada
um
não
deixa
a
paz
durar
demais!
Antigamente,
a
placa
do
carro
Entregava
a
procedência,
E
um
goiano
de
chapéu,
Com
seu
Fusquinha
branqueado,
Exibia
a
placa
de
Goiás,
Todo
ancho
e
empinado!
O
mineiro,
cheio
de
graça,
Perguntou,
querendo
gozar: “
Ô,
compadre,
esse
GO
Que
na
placa
está
no
carro,
O
que
é
que
quer
falar?”
O
goiano
respondeu,
Com
orgulho
e
decisão: “
GO
é
Goiás,
minha
terra,
Meu
querido
rincão!”
O
mineiro
deu
risada,
Com
malícia
no
falar: “
GO
quer
dizer
gonorante,
É
o
que
eu
vou
lhe
contar!” [
BREQUE —
VIOLA
PARA
DE
REPENTE] (
Sanfona
dá
duas
notas
curtas.
Pausa
para
a
resposta.)
[VERSO 2 — O GOIANO DÁ O TROCO | VIOLA MAIS FIRME] O
goiano
ficou
bravo,
Mas
soube
se
controlar,
Olhou
a
placa
do
mineiro
E
resolveu
lhe
perguntar: “
E
esse
tal
de
eme-gê,
Na
placa
do
seu
carrão,
O
que
quer
dizer,
compadre?
Me
responda,
meu
irmão!” “
É
Minas
Gerais,
uai!
Terra
boa,
sem
igual,
Do
pão
de
queijo
quentinho
E
da
prosa
sem
final!”
O
goiano
deu
risada,
Com
seu
plano
já
na
mão: “
Se
GO
quer
dizer
gonorante,
Preste
bem
atenção:
MG
quer
dizer,
compadre,
Muito
gonorante,
então!” [
BREQUE
DE
VIOLA
E
SANFONA] (
Viola
faz
uma
descida
chorada.
Sanfona
responde
com
uma
frase
alegre.)
[REFRÃO — DUETO, VIOLA E SANFONA] GO
é
gonorante!
MG,
muito
gonorante!
Um
provoca,
o
outro
retruca,
Ninguém
deixa
a
língua
em
paz!
Um
tem
pequi,
outro
pão
de
queijo,
Cada
qual
com
seu
sabor!
Mas
depois
de
tanta
briga,
Dão
risada
do
humor!
Ô,
mineiro!
Ô,
goiano!
Deixa
a
raiva
pra
depois!
Se
a
divisa
separa
a
terra,
A
amizade
une
os
dois! [
INTERLÚDIO —
VIOLA
CAIPIRA
E
SANFONA, 4
COMPASSOS] (
Viola
ponteia;
sanfona
repete
a
melodia,
com
balanço
de
baile
sertanejo.)
[VERSO 3 — A BRINCADEIRA ATRAVESSA A FRONTEIRA | TOM BEM MARCADO] Mas
essa
história
de
divisa
Não
acontece
só
por
cá,
Lá
entre
os
Estados
Unidos
E
o
México
também
dá
o
que
falar!
O
mexicano
provoca
O
americano,
pra
valer,
E
quando
está
em
vantagem
Faz
questão
de
aparecer!
Abre
o
peito,
conta
os
seus,
Com
orgulho
e
valentia,
E
grita,
cheio
de
graça,
Como
quem
desafia: “
Miiira
cuántos
los
somos!”?
Olha
quantos
somos,
então!
Quer
mostrar
que
tem
vantagem
E
ganhar
a
discussão! [
VIRADA
DE
VIOLA —
SANFONA
SUSTENTA
A
NOTA]
[VERSO 4 — QUANDO A VANTAGEM MUDA | ARRANJO MAIS CONTIDO] Mas
se
a
coisa
se
complica,
Muda
logo
a
situação,
Se
tem
muito
americano,
Já
muda
a
provocação!
Dá
um
sorriso,
muda
o
tom,
Procura
se
sair
do
perigo,
Deixa
o
orgulho
de
lado
E
chama
o
outro
de
amigo! “
Oh,
my
friend!”,
diz
sorrindo,
Pra
escapar
do
embaraço,
Pois
quem
muda
o
tom
da
prosa
Quer
encontrar
outro
espaço! [
INTERLÚDIO —
SANFONA
SENTIDA, 4
COMPASSOS] (
Viola
acompanha
com
ponteados
suaves.
A
sanfona
prepara
a
mudança
para
o
verso
reflexivo.)
[VERSO 5 — A LIÇÃO DAS DIVISAS | VIOLA MAIS LENTA] Mas
nem
toda
divisa
Termina
em
brincadeira,
Há
fronteiras
neste
mundo
Que
viraram
trincheira.
Rússia
e
Ucrânia,
quanta
dor,
Quanta
lágrima
e
aflição!
Quando
o
orgulho
fala
alto,
Quem
sofre
é
a
população!
Mineiro
e
goiano
podem
até
se
provocar,
Mexicano
e
americano
podem
querer
se
comparar,
Mas
se
o
bom
senso
prevalece,
Há
respeito
e
amizade,
E
a
fronteira
deixa
de
ser
muro
Pra
dar
lugar
à
liberdade!
[REFRÃO REFLEXIVO — DUAS VOZES, SANFONA SUAVE] Seja
um
rio,
seja
uma
cerca,
Seja
a
fronteira
de
uma
nação,
Não
é
vencer
quem
mora
ao
lado,
É
viver
em
paz
com
o
irmão!
Que
a
fronteira
não
seja
guerra,
Nem
motivo
pra
divisão;
Que
o
respeito
vença
o
orgulho
E
a
paz
more
em
cada
coração!
[REFRÃO FINAL — DUETO, VOLTA O BALANÇO DO MODÃO] Ô,
mineiro!
Ô,
goiano!
Mexicano
e
americano!
Cada
qual
com
seu
orgulho,
Cada
qual
com
seu
jeito
humano!
Se
a
brincadeira
é
amistosa,
Todo
mundo
vive
em
união!
E
com
bom
senso
e
respeito,
viverão...
muito
feliz
todos
os
povos,
todos
os
cidadãos!
[FINAL FALADO — VIOLA CHORADA] Vamos
Finalizar,
atendendo
ao
Mário
Cardoso,
Mineiro
que
esta
letra
escreveu,
Porque
pão
de
queijo
e
pamonha,
HOJE,
até
agora,
ele
AINDA
não
comeu! (
Viola
caipira ) (
Sanfona
responde
com
melodia
sentimental,
sustentando
as
notas.) (
Finalização
lenta,
chorada
e
bem
sertaneja
raiz.)