[VERSO 1 — VOZ GRAVE, CONTANDO A HISTÓRIA] No
sertão
de
noite
escura,
correu
uma
triste
história,
De
um
guerreiro
temido,
marcado
pela
memória.
Virgulino
Ferreira,
Lampião,
rei
do
cangaço,
Encontrou
na
confiança
o
seu
mais
cruel
embaraço.
[VERSO 2 — SANFONA RESPONDE A CADA DOIS VERSOS] Na
Grota
do
Angico,
Sergipe,
o
destino
se
armou,
Na
madrugada
sombria,
a
volante
se
aproximou.
Dizem
que
alguém
revelou
onde
o
bando
descansava,
Mas
se
foi
traição
ou
tortura,
a
história
não
esclarece
nada.
[PRÉ-REFRÃO — PERCUSSÃO CRESCENDO] Quem
conhece
o
segredo
de
um
abrigo
no
sertão,
Pode
abrir
uma
porteira
ou
entregar
um
coração.
E
quando
a
confiança
se
transforma
em
desengano,
Uma
noite
muda
a
história
e
interrompe
muitos
anos!
[REFRÃO — FORTE, COM CORAL MASCULINO] Foi
traição?
Foi
covardia?
Foi
a
força
da
polícia
que
venceu
naquele
dia?
Quem
contou
o
esconderijo?
Quem
rompeu
a
proteção?
Até
hoje
essa
pergunta
ecoa
pelo
sertão!
Foi
traição?
Foi
tortura?
Quem
conhece
a
verdade
dessa
noite
tão
escura?
Na
Grota
do
Angico,
o
destino
escreveu:
Lampião
caiu
na
emboscada,
e
o
mistério
permaneceu! [
INTERLÚDIO — 8
COMPASSOS] (
Sanfona
dramática;
viola
imita
o
aboio.
A
zabumba
marca
o
passo
da
volante.)
[VERSO 3 — TOM DE LAMENTO] Pedro
de
Cândido
é
lembrado
nessa
narrativa,
Como
a
figura
envolvida
numa
versão
controversa
e
antiga.
Há
quem
diga
que
ele
entregou
o
lugar
onde
o
bando
dormia,
Há
quem
diga
que
sob
pressão
foi
levado
a
colaborar
naquele
dia.
Não
se
julga
um
homem
apenas
pelo
que
alguém
contou,
Nem
se
apaga
uma
dúvida
porque
o
tempo
já
passou.
Entre
a
lenda
e
os
fatos,
fica
a
pergunta
no
ar:
Foi
a
mão
de
um
companheiro
que
ajudou
Lampião
a
tombar?
[REFRÃO — REPETIR COM MAIS FORÇA] Foi
traição?
Foi
covardia?
Foi
a
força
da
polícia
que
venceu
naquele
dia?
Quem
contou
o
esconderijo?
Quem
rompeu
a
proteção?
Até
hoje
essa
pergunta
ecoa
pelo
sertão!
Foi
traição?
Foi
tortura?
Quem
conhece
a
verdade
dessa
noite
tão
escura?
Na
Grota
do
Angico,
o
destino
escreveu:
Lampião
caiu
na
emboscada,
e
o
mistério
permaneceu!
[PONTE — VOZ FALADA, COM SANFONA AO FUNDO] No
sertão,
a
confiança
valia
mais
que
dinheiro...
Mas
uma
informação
podia
mudar
o
destino
de
um
cangaceiro.
E
a
história
nos
ensina,
sem
condenar
sem
saber:
Nem
toda
acusação
prova
aquilo
que
aconteceu!
[VERSO FINAL — LENTO E EMOCIONADO] Vinte
e
oito
de
julho,
mil
novecentos
e
trinta
e
oito,
A
Grota
do
Angico
amanheceu
em
silêncio
e
desgosto.
Lampião,
Maria
Bonita
e
tantos
outros
tombaram,
E
as
dúvidas
daquela
madrugada
jamais
se
encerraram.
[REFRÃO FINAL — CORAL E SANFONA] Foi
traição?
Foi
covardia?
Quem
conhece
a
verdade
daquela
triste
agonia?
O
sertão
guarda
o
segredo,
o
tempo
não
deu
solução,
E
a
pergunta
ainda
ressoa:
quem
traiu
Lampião? [
FINAL —
A
CAPELA] (
Todos
os
instrumentos
param.)
Foi
traição...
ou
foi
tortura? (
Aboio
distante.)
O
sertão
ainda
procura... (
ESPAÇO...)
Esse
ângulo
da
morte
de
Lampião,
em
ritmo
de
música....
foi
escrito
por....
Mário
Cardoso. ) (
Viola
caipira
e
sanfona
encerram
com 8
compassos
lentos
e
chorados.)